Entrevista ao Coordenador da Secção de Panificação

Na edição N.º 24 de Maio de 2012, da revista da ACISM, publicámos uma entrevista ao Coordenador da Secção de Panificação, Senhor Custódio Alves, que partilhamos consigo.

 

A ACISM convidou Custódio Rodrigues Alves, na qualidade de Coordenador do Conselho da Secção de Panificação da ACISM, em representação da empresa Justino Alexandre Sardinha, Lda., para uma breve conversa. Partilhamos consigo.

DADOS PESSOAIS:
Nome: Custódio Rodrigues Alves, 64 anos
Cargo: Coordenador do Conselho da Secção de Panificação da ACISM
Profissão: Técnico Oficial de Contas
Local de Nascimento: 5 de Dezembro de 1947
Prato favorito: Bacalhau (Costuma-se dizer que há 1.001 maneiras de cozinhar bacalhau, eu gosto de 1.000, não aprecio bacalhau com natas)
Passatempo favorito: Tenho muito pouco tempo livre, mas gosto dos Jogos de mesa – Cartas.


ACISM – Na sua opinião, o que tornou o Pão de Mafra tão apreciado e reconhecido?

Custódio Alves (CA) – A sua qualidade. Só a sua excelente qualidade pode ter tornado o “Pão de Mafra” muito apreciado por quem o come e reconhecido em todo o País e por quase todos os portugueses.


ACISM – Porque sentiram a necessidade de certificação como produto de “Identificação Geográfica Protegida” (IGP)?

CA – Sentimos que muitos consumidores estavam, e ainda estão, a ser enganados, comprando, como se costuma dizer, gato por lebre, ou seja: alguns panificadores que nem sequer estão estabelecidos no concelho de Mafra, aproveitam o bom-nome do “Pão de Mafra”, para venderem uma fraca imitação deste pão, enganando os clientes e descredibilizando o nosso “Pão de Mafra”.


ACISM – Estando tão em voga os produtos “gourmet”, acha que o nosso pão se poderá assim considerar?

CA – Eu não acho. Tenho a certeza. No entanto reconheço que é um trabalho demorado, que requer muita diplomacia, mas com o registo da marca “Pão de Mafra”, esse trabalho está facilitado.


ACISM – Em que aspectos esta certificação poderá beneficiar os panificadores, assim como os consumidores?

CA – Na minha opinião os consumidores são os principais beneficiados. E digo isto com a certeza de quem passou uma vida à volta do pão. Os consumidores passam a ter a certeza de onde é que é produzido o pão que estão a consumir, bem como se essa produção está de acordo com os parâmetros exigidos aos produtores do “Pão de Mafra”. Os Panificadores são beneficiados pois decerto passarão a ter consumidores mais fidelizados.


ACISM – Quais as etapas necessárias para a certificação do “Pão de Mafra®” e em que fase está o processo?

CA – Este processo, foi e está a ser, um longo caminho. Foi e é um caminho longo, mas ao mesmo tempo saboroso. Já tem cerca de seis anos. Começou com um estudo científico do que é o “Pão de Mafra”, levado a cabo pela nossa Câmara Municipal, o qual proporcionou a feitura de um caderno de especificações que permitiu o registo da marca. Finalmente o último e longo passo é a certificação como IGP, “Identificação Geográfica Protegida”. Esta fase está a iniciar-se agora pois estava pendente do registo da marca. É uma fase que depende do nosso Ministério da Agricultura e da União Europeia. Sei que vai ser um processo demorado e por isso não quero dar palpites para o prazo da sua conclusão. O importante é que estamos a trabalhar neste projecto que é do concelho de Mafra.


ACISM – Para se atingir o objectivo da certificação foi criada a Secção da Panificação dentro da ACISM. Quais os elementos que actualmente a compõem e quais os requisitos para quem queira vir a fazer parte dela?

CA – São dez os panificadores que compõem a Secção: Oito já auditados; Arlindo Rodrigues Gomes, Ericeirapão, Lda., Ermelinda Jacinto Considra, Justino Alexandre Sardinha, Lda., Maria Celeste Silva Rodrigues Alecrim, Maria Filomena A.S. Firmino Batalha, Panimafra, Lda., Pluripão – Industria de Panificação, Lda., e dois em stand-by: Bexiga e Silva, Lda. e Januária Leitão Mariz, Unip. Lda.

A secção está aberta a todos os panificadores com fabrico dentro do concelho de Mafra, que cumpram o Caderno de Especificações, e que fabrico do “Pão de Mafra” seja auditado pela empresa contratada para o efeito pela ACISM.


ACISM – O logótipo escolhido para o “Pão de Mafra®” já é marca registada. Que vantagens podem tirar desde já desta garantia?

CA – A vantagem dos panificadores que fazem parte desta secção é o facto de mais ninguém poder comercializar o “Pão de Mafra” nem “Tipo Pão de Mafra”, senão aqueles que estiverem inscritos na Secção e cumpram o Caderno de Especificações.


ACISM – Saberemos que estamos a comprar o genuíno “Pão de Mafra®” quando virmos este logotipo na embalagem? A partir de quando?

CA – É claro que sim. Ninguém mais poderá utilizar este logótipo. Pensamos começar a utilizá-lo a partir de 1 de Julho de 2012.


ACISM – Acha que o “Pão de Mafra®”, ajuda a divulgar o concelho de Mafra?

CA – Que perdoe o Sr. Secretário de Estado da Cultura, mas eu penso que no país é mais conhecido o “Pão de Mafra” do que o próprio Convento. Eu tenho uma história muito breve para contar. Eu e um grupo de amigos, estava-mos em Chaves e fomos comprar uns figos muito bonitos num lugar de frutas. Pela pronúncia a senhora que nos atendeu percebeu que não éramos da região e perguntou-nos de onde éramos. Respondemos que éramos de Mafra. Retorquiu a senhora, há Mafra, a terra do bom pão.


ACISM – Têm notado mais procura por parte do comércio após a divulgação deste processo?

CA – Por enquanto não é muito notório no pequeno comércio. Mas tenho a sensação que o grande comércio se está a aperceber que para poder comercializar o “Pão de Mafra” terá que o adquirir a uma daquelas empresa acima identificadas.


ACISM – Qual o interesse que denotam no público em geral e quais os apoios que este projecto tem tido?

CA – Parece-me que ainda estamos num tempo que o público em geral ainda não se apercebeu muito bem deste processo. E isto é um desafio a levar a cabo pela Secção. Quanto à segunda parte da pergunta, queria destacar três entidades: A Câmara Municipal de Mafra, pelo trabalho e disponibilidade financeira, a ACISM, por ter abraçado este projecto com todas a suas forças, “um agradecimento especial à sua colaboradora Sr.ª D.ª Patrícia Piteira”. A terceira entidade, até ao momento ainda não teve um trabalho de grande visibilidade, mas mostrou total disponibilidade, e que é o Ministério da Agricultura.


ACISM – Quer deixar alguma sugestão aos consumidores?

CA – Gostava que os consumidores que preferem o nosso “Pão de Mafra”, e eu tenho a certeza que são muitos, ao comprar o “Pão de Mafra” verificassem se a embalagem tem o nosso logótipo, ou, que comprem o pão nas lojas daquelas empresas acima identificadas, pois só assim terão a certeza que estão a consumir o verdadeiro “Pão de Mafra”.

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